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Hyperpop: o que é o pop exagerado que nasceu na internet e virou pista

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Hyperpop: o que é o pop exagerado que nasceu na internet e virou pista

Imagine uma música pop tocada no volume máximo, com a voz acelerada até soar como desenho animado, um 808 que estoura a caixa de som e um refrão que muda de gênero no meio do caminho. Isso é hyperpop, o som que nasceu em fóruns e playlists da internet e hoje enche festas inteiras.

O gênero é exagerado de propósito. Ele pega tudo o que o pop tem de mais doce e de mais artificial e empurra até o limite, até o doce virar ácido. Neste guia, você vai entender de onde ele veio, quem são os nomes centrais, como reconhecer uma faixa e onde ouvir em São Paulo.

O que é hyperpop

Em resumo, é pop no exagero. A base é a canção pop, com melodia grudenta e refrão. Só que a produção vem saturada: vozes alteradas por afinador automático, batidas de trap distorcidas, sintetizadores brilhantes e colagens que juntam trance, emo, rap e música eletrônica na mesma faixa.

Por isso, a primeira audição costuma assustar. Parece caótico, quase uma brincadeira. Mas existe método nesse caos, porque cada exagero é uma escolha estética.

Além disso, o hyperpop tem humor. Ele ri do próprio pop, da cultura de celebridade e da vida online, ao mesmo tempo em que leva tudo isso a sério. Essa ambiguidade é parte do charme.

Um gênero que nasceu como rótulo

Curiosamente, o nome veio depois do som. Durante anos, artistas faziam esse tipo de música sem chamar de nada específico. Só no fim da década de 2010 o termo se popularizou e passou a reunir uma cena espalhada pelo mundo.

De onde veio: a Londres de 2013

A história começa no selo britânico PC Music, fundado em Londres em 2013 pelo produtor A. G. Cook. A proposta era radical: fazer um pop tão polido e tão artificial que soasse quase como paródia de comercial de TV.

Nos primeiros anos, muita gente não sabia se aquilo era homenagem ou deboche. Enquanto isso, os lançamentos do selo circulavam por blogs e redes sociais e formavam um público fiel. Em 2023, depois de uma década, o PC Music anunciou o fim dos lançamentos novos, mas a influência já tinha se espalhado.

SOPHIE, a arquiteta do som

Nenhum nome é mais importante pra essa história do que SOPHIE. A produtora escocesa chamou atenção em 2013 com o single Bipp e criou um timbre que ninguém tinha ouvido antes: sons de borracha, látex e metal, como se a música fosse feita de plástico líquido.

Em 2018, ela lançou o álbum Oil of Every Pearl’s Un-Insides, com faixas como Faceshopping e Immaterial. O disco virou referência pra toda uma geração de produtores. SOPHIE morreu em janeiro de 2021, em Atenas, aos 34 anos, num acidente. Ainda assim, o som dela segue vivo em praticamente todo o hyperpop que veio depois.

Charli XCX leva o som pro pop

Enquanto isso, a cantora Charli XCX foi a ponte entre o laboratório e o grande público. Em 2016, ela lançou o EP Vroom Vroom, produzido por SOPHIE. Depois, vieram mixtapes e discos cada vez mais experimentais.

Em 2024, o álbum Brat virou fenômeno mundial e levou elementos dessa estética, do verde-limão à produção estourada, pra dentro do pop mais tocado do planeta.

100 gecs e a explosão de 2019

Se o PC Music criou a base, a dupla americana 100 gecs acendeu o pavio. Dylan Brady e Laura Les lançaram o álbum 1000 gecs em maio de 2019. O disco misturava pop-punk, dubstep, ska, rap e vozes aceleradas, tudo em menos de meia hora.

Faixas como money machine e stupid horse viraram hinos de uma internet que adorava o absurdo. Assim, o gênero ganhou o seu primeiro sucesso de massa entre o público jovem.

O nome que pegou

Mais ou menos na mesma época, o Spotify passou a reunir esses artistas numa playlist chamada justamente Hyperpop. A lista virou vitrine e ajudou a fixar o termo. A partir daí, quem fazia pop exagerado ganhou um lugar pra chamar de seu. Quem quiser ver essa linha do tempo inteira encontra tudo na página do hyperpop na Wikipedia.

Como soa: os elementos do hyperpop

Cada artista tem a sua assinatura, mas alguns elementos aparecem quase sempre.

Vozes alteradas

Primeiro, a voz. O afinador automático é usado no talo, sem disfarce. Muitas vezes, a voz também é acelerada, o que deixa o timbre agudo e infantil. Em outras faixas, ela é distorcida até virar textura.

808 estourado

Depois, a batida. O hyperpop pega o 808 do trap e satura até ele estourar. Por isso, o grave soa sujo, quase quebrado, mas cheio de energia.

Colagem de gêneros

Além disso, uma mesma faixa pode começar como balada pop, virar trance no refrão e terminar num breakdown de metal. Essa colagem é a regra, não a exceção. Ou seja, o gênero trata a história da música como uma grande biblioteca de amostras.

Velocidade

Por fim, muitas faixas são rápidas. Essa obsessão pela velocidade vem de outro fenômeno da internet, o nightcore, as versões aceleradas que dominaram o YouTube. A gente conta essa história em detalhe no guia dedicado.

Hyperpop, digicore e nightcore: a família da internet

O hyperpop não está sozinho. Ele faz parte de uma família de sons que nasceram online e que dividem referências, artistas e público.

O digicore é o primo mais próximo. Ele surgiu entre adolescentes que produziam juntos em servidores de bate-papo, misturando emo rap, trap e pop acelerado. Inclusive, muitos artistas transitam entre os dois rótulos. A história completa está no guia sobre digicore, a cena que nasceu no Discord.

Já o nightcore é o avô. Bem antes do hyperpop ter nome, já existiam milhares de vídeos com músicas aceleradas e ilustrações de anime. Essa estética de velocidade e fofura agressiva atravessou os anos e chegou na pista.

Por fim, vale lembrar outro parente: as versões slowed e sped up que circulam nas redes. A gente já explicou esse fenômeno em slowed, reverb e sped up, um texto que ajuda a entender por que a internet adora mexer na velocidade das músicas.

A estética: cyber-kawaii, Y2K e fotolog

O som vem acompanhado de um visual muito próprio. Cores saturadas, rosa-choque, azul elétrico, brilho, estrelas, corações e referências à internet dos anos 2000.

Esse visual conversa diretamente com o revival Y2K. Se você quer entender de onde vem essa nostalgia, vale ler o nosso guia visual da estética Y2K.

No Brasil, essa estética ganha um sabor especial: o fotolog. Quem viveu a internet brasileira de 2005 lembra das fotos com moldura, dos textos coloridos e dos depoimentos. Hoje, a geração que cresceu ouvindo hyperpop resgata esse visual com ironia e carinho.

Fofo e agressivo ao mesmo tempo

A chave do visual é o contraste. Pelúcias e correntes. Glitter e coturno. Laços e maquiagem pesada. Ou seja, a estética mistura o fofo e o agressivo, do mesmo jeito que a música mistura o doce e o estourado.

Como montar o look

Na prática, o visual nasce da mistura. Comece por uma base escura, como uma calça larga ou uma saia preta, e adicione peças coloridas por cima. Depois, aposte nos acessórios: presilhas, correntes finas, pulseiras de miçanga e meias listradas.

Além disso, o rosto é parte do figurino. Delineado gráfico, brilho, estrelinhas desenhadas e cores fortes nos olhos funcionam muito bem. Se quiser ir além, vale ler o guia de maquiagem para rave, com dicas pra make durar a noite inteira.

Um gênero que abriu espaço

O hyperpop sempre foi muito associado a artistas LGBTQIA+, especialmente pessoas trans. SOPHIE e Laura Les, da dupla 100 gecs, são mulheres trans, e muita gente encontrou na manipulação da voz uma forma de brincar com identidade e gênero.

Por isso, a cena costuma ser vista como acolhedora. Pra muita gente, o exagero do som virou também liberdade de existir do jeito que quiser, sem pedir licença.

O que o hyperpop tem a ver com emotrap e phonk

À primeira vista, o pop exagerado parece longe do som pesado que move a Sad Baile. Mas as conexões são muitas.

O emotrap, por exemplo, também nasceu na internet, também usa afinador automático no talo e também mistura tristeza com batida de trap. Muitos artistas de digicore começaram no emotrap. Se quiser entender esse lado, leia o nosso guia sobre o emotrap, a fusão que definiu o som da geração 2020.

Além disso, o hyperpop e o phonk dividem a lógica da colagem: pegar sons de épocas diferentes e montar algo novo. A diferença é o clima. Enquanto o phonk é escuro, o hyperpop é colorido e saturado.

O peso por baixo do brilho

Muita gente se surpreende ao perceber quanto peso existe no hyperpop. Por trás das vozes fofas, há graves distorcidos, batidas quebradas e drops que lembram o dubstep. Inclusive, alguns produtores da cena flertam com o techno acelerado, um som que a gente explicou no guia sobre o hard techno.

Como se produz uma faixa de hyperpop

Grande parte do gênero nasceu em quartos, com um computador e um fone. Por isso, a produção é acessível, embora exija ouvido e paciência.

A voz no centro

Primeiro, a voz. O produtor grava e passa por um afinador automático com correção instantânea, o que cria aquele salto robótico entre as notas. Depois, sobe o tom, mexe no timbre e empilha cópias da mesma voz em alturas diferentes. Assim, um vocal comum vira personagem.

O grave saturado

Em seguida, vem o 808. Em vez de deixá-lo limpo, o produtor satura, corta e às vezes deixa o som estourar de propósito. Esse grave sujo é o que dá peso por baixo do brilho.

As viradas

Por fim, a estrutura. Uma faixa de hyperpop raramente fica no mesmo lugar por muito tempo. Ela muda de tom, de andamento e de gênero, às vezes no meio de um verso. Ou seja, a surpresa é parte da composição.

Hyperpop no Brasil

No país, o gênero cresceu primeiro nas playlists e nas redes sociais, entre jovens que já ouviam emotrap, funk e música eletrônica. Com o tempo, essa audiência saiu do fone e foi procurar a pista.

Além disso, o Brasil tem uma vantagem: aqui, qualquer gênero acaba conversando com o funk. Por isso, não é raro ouvir produções que juntam vozes aceleradas, sintetizadores brilhantes e batidas de baile. O resultado é um hyperpop com sotaque próprio, que só poderia ter nascido aqui.

Hoje, a cena já sustenta festas dedicadas, com público fiel e visual caprichado. Ou seja, o que começou como curiosidade da internet virou noite de verdade.

Hyperpop na pista: dá pra dançar?

Dá, e muito. Embora o gênero tenha nascido no fone de ouvido, ele funciona muito bem ao vivo. As faixas são curtas, cheias de viradas, e o público costuma cantar junto, pular e fazer coreografias improvisadas.

Na pista, a energia é diferente de uma noite de techno ou de funk. É mais leve, mais teatral e mais colorida. Ainda assim, a intensidade é alta, porque o BPM e a distorção não dão trégua.

Além disso, as festas de hyperpop costumam ter um componente de performance. O público capricha no visual, muita gente vai fantasiada e o telão vira parte do show, com memes, animações e referências da internet.

Onde ouvir hyperpop em São Paulo

Em São Paulo, o gênero ganha uma festa própria: o Happy Baile. A primeira edição acontece na sexta-feira, 27 de novembro, no Crono Club, a partir das 23h, com hyperpop, nightcore, digicore e angelcore. No telão, visual cyber-kawaii, memes e estética de fotolog. E tudo acontece numa pista só, do começo ao fim.

O ingresso começa em R$ 15, mais a taxa da ticketeira. Vale garantir cedo, porque o lote promocional costuma acabar rápido. A gente preparou um guia completo da noite em Happy Baile, a festa de hyperpop em São Paulo.

Como começar a ouvir

Se você nunca ouviu nada do gênero, vale começar pelos discos que marcaram a história.

  • **SOPHIE, Oil of Every Pearl’s Un-Insides (2018).** É o ponto de partida obrigatório, porque mostra o som mais inventivo do gênero.
  • **100 gecs, 1000 gecs (2019).** É a porta de entrada mais divertida, já que mistura tudo em faixas curtas.
  • **Charli XCX, Vroom Vroom (2016).** Mostra como o som chegou ao pop, pois foi produzido por SOPHIE.
  • **Charli XCX, Brat (2024).** Revela onde essa estética chegou, porque virou um dos discos mais comentados da década.

Depois, explore as playlists do gênero e siga as recomendações. Afinal, o hyperpop é uma cena que vive de descoberta e de compartilhamento.

Perguntas frequentes sobre hyperpop

O que significa hyperpop? O nome junta “hyper”, de exagerado, e “pop”. Ou seja, é o pop levado ao extremo.

Quem criou o hyperpop? Não existe um único criador. O selo PC Music, de A. G. Cook, e a produtora SOPHIE são considerados os pioneiros, a partir de 2013.

Hyperpop e digicore são a mesma coisa? Não, mas são parentes. O digicore tem mais influência de emo rap e trap, enquanto o hyperpop puxa mais pro pop.

Hyperpop é só música de internet? Começou assim, mas hoje tem festas, turnês e artistas no topo das paradas.

Onde ouvir hyperpop ao vivo em São Paulo? No Happy Baile, a festa de hyperpop, nightcore e digicore que faz a primeira edição na cidade.

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#hyperpop #música da internet #pop alternativo

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